Admirável inseto:
vem e pousa nessas linhas de caderno.
Esboça uma dança, um desenho alheio...
Tão cedo se cansa e sai voando
sábio passeio analfabeto.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
a fronteira da alvorada...
...de todos esses animais fantásticos, não tenho dúvida de que os da predileção de Borges são os que chama de "animais dos espelhos". Conta que, na época do Imperador Amarelo, o mundo dos homens e dos espelhos não eram, como agora, incomunicáveis e, além do mais, os seres de um e outro mundo não coicidiam nem em forma nem em cores. Passava-se de um mundo para o outro sem problema. Até que certa noite o pessoal do espelho invadiu a terra, travando-se uma sangrenta batalha, vencida pelas tropas do imperador Amarelo, que rechaçou os invasores e os encarcerou nos espelhos, imponde-lhes a tarefa de repetir todos os atos dos homens. Mas dia chegará em que aqueles oprimidos se libertarão e reunirão forças para romper as barreiras do vidro e do metal. e há quem diga que, antes da invasão, ouviremos, vindo do fundo dos espelhos, o rumor das armas...
ferreira gullar

ferreira gullar

quinta-feira, 2 de abril de 2009
insônia
02:00 : Olho para o teto, as formigas fazem cósegas na bochecha, deixo-as sairem lentas, em fila, do meu olho esquerdo.
2:08: Sai a última formiga. Entendo que não há mais doçura. Meus olhos oscilam entre aberto, fechado, entreaberto, aberto, coberto.
2:40: O ventilador de teto está bambo, preciso chamar o Ney pra dar uma olhada.
3:14: Procuro linhas diagonais, transversais, uma ponta, outra ponta. Desenho a rosa dos ventos no retângulo da minha cama: lado esquerdo, lado direito, embaixo do leçol, por cima do lençol, sem lençol.
3:20: Pesco lágrimas, empilho-as embaixo do travesseiro, dizem que dá sorte.
3:52: Minha extremidade se dobra qual folha de papel protegendo o centro, guardo algo importante, me perco nas dobras e não alcanço o importante. Meus pés estão dormentes, quero dormir como eles.
4:38: Dói, acho que é gases.
2:08: Sai a última formiga. Entendo que não há mais doçura. Meus olhos oscilam entre aberto, fechado, entreaberto, aberto, coberto.
2:40: O ventilador de teto está bambo, preciso chamar o Ney pra dar uma olhada.
3:14: Procuro linhas diagonais, transversais, uma ponta, outra ponta. Desenho a rosa dos ventos no retângulo da minha cama: lado esquerdo, lado direito, embaixo do leçol, por cima do lençol, sem lençol.
3:20: Pesco lágrimas, empilho-as embaixo do travesseiro, dizem que dá sorte.
3:52: Minha extremidade se dobra qual folha de papel protegendo o centro, guardo algo importante, me perco nas dobras e não alcanço o importante. Meus pés estão dormentes, quero dormir como eles.
4:38: Dói, acho que é gases.
domingo, 22 de março de 2009
a última gravação

Aquele gesto que precisa de mais força para existir no mundo, ou quase-gesto, se me permite usar o hífem antes dele nunca mais existir. Se já tenho que me despedir de coisas, e muitas, possíveis de fotografar, imagina a despedida das coisas que nem conseguiram encarnar? Quanto tempo e lenço nas despedidas dos quase, que morrem sozinhos ...
Insisto que, se não te gravo esta tinta no papel, sou eu que morrerei sozinha em "atos sem palavras 1". Desculpe o plágio, tento requinte com Beckett, mas só deixo escapar o deserto que existe e ridiculamente tento esconder. Atos sem palavras, querido, esse silêncio quase-cheio que minha pele capta, mas não faz sentido não. Não te leio e insisto que me leias.
Queria você, o quase-amor morto por falência de quase-beijo. Te vi mais uma vez em sonho, poderia rir do tropeço da noite e cair inspirada num poema-vivo, mas veio um quase-choro, não gosto de despedidas.
terça-feira, 10 de março de 2009
Totem e Tabu
Serge Gainsbourg e Charlotte Gainsbourg
Lemon Incest
Freud explica que parentes cosanguíneos não devem
ter relações sexuais, regra que desde as " tribos primitivas"
até os dias de hoje orienta um viver em sociedade e em
linguagem simbólica.
Será que Fritzl não leu Freud????
segunda-feira, 2 de março de 2009
epifania
O grito.
Flácido, deitado ainda
sobre a linha do diafragma.
Infame, em fato, em caroço !
A potência em esplendor.
Oro pelo grito nosso;
que seja devasto sem dor,
que ecoe livre, os mil mundos.
Temo o grito cheio,
embuxado quase vingando,
e se aqui dentro ficar com saudade?
Ficar vazio?
Choro o grito mudo,
amarelo morto,
mais uma folha amassada:
cesta, lixo.
Flácido, deitado ainda
sobre a linha do diafragma.
Infame, em fato, em caroço !
A potência em esplendor.
Oro pelo grito nosso;
que seja devasto sem dor,
que ecoe livre, os mil mundos.
Temo o grito cheio,
embuxado quase vingando,
e se aqui dentro ficar com saudade?
Ficar vazio?
Choro o grito mudo,
amarelo morto,
mais uma folha amassada:
cesta, lixo.
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