domingo, 31 de agosto de 2008

por um cobertor de orelha
















há um momento em que a cegueira da falta
leva tudo para o ralo, chamo breu

sujeito/falta/Outro

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(eu)

por que disputamos tanto para sermos queridos?
é violento.

domingo, 24 de agosto de 2008

aula

video



Primeira lição

Os gêneros de poesia são: lírico, satírico, didático, épico, ligeiro.
O gênero lírico compreende o lirismo.
Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e pessoal.
É a linguagem do coração, do amor.
O lirismo é assim denominado porque em outros tempos os versos sentimentais eram declamados ao som da lira.
O lirismo pode ser:

a) Elegíaco, quando trata de assuntos tristes, quase sempre a morte.
b) Bucólico, quando versa sobre assuntos campestres.
c) Erótico, quando versa sobre o amor


Ana C, A teus pés.



d)  lirismo ariano,  versa sobre a imortalidade dos cacos empilhados em forma de castelo.

domingo, 17 de agosto de 2008





vestiu a máscara de malvado
um disfarce como outro qualquer
mal encarnado, digo
 
não tenho santo no ombro esquerdo
graças a Deus !







* imagem: colagem sobre papel.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

não comi madelenas, comi ?



memória,
documento ou ficção?
tenho medo de inventar história...
a corda fina e infantil, dorme,
e eu, insônio.
os pés e as cabeças, por favor !
um reparo de raiz, tronco e folha.
submerso, suspiro, subinscrito,
vem.
ganhei presente ontem,
no ponto e bem passado
já o futuro....


invisível.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A menina.

Tinha astigmatismo, hipermetropia e estrabismo. Usava um óculos fundo de garrafa mesmo,que cismava em escorregar pra ponta do nariz. Não soube exatamente quando, mas aprendera a reverter a situação sem usar as mãos. A técnica consistia em levantar a bochecha esquerda, depois bochecha direita, e mais uma vez bochecha esquerda e depois bochecha direita junto com um último empurrão do nariz. Uma verdadeira dança facial.
Seus óculos sempre foram coloridos, por uma razão simples: eles combinavam com o borrão de cor que só ela via. Eles eram a janela colorida que definia onde terminava seu mundão e onde começava o pessoal lá fora.
Chorar embaçava mais, mas às vezes era bonito, porque o dia chovia com exclusividade e direitos autorais.

domingo, 3 de agosto de 2008

pédágua



(éter)

pelepóroabre
pontaquenterossa
puxasemquererquerendo
putamanhamanha
ponteminicárdio
prataourocobre
piscalínguaocre
pincelbucetinta
pintacurvacarne
pousacôxaencaixe
pedemaisumpouco
pontogememacho
púbispeçaporta
peitopêlocacho
porraquiéprosa
plantaderefêmea
pernaenlacegoza
pingaconchafecha.

O castelo







Era tarde da noite quando K. chegou, com uma mala pequena. Foi barrado por um soldado
jovem, com olhos de velho, pele seca.

- O senhor é estrangeiro?  Tem os documentos?

K. pegou sua carteira de identidade e apresentou ao rapaz.

- Essa não serve, o senhor deve retirar um novo documento amanhã de manhã, no castelo. 
São ordens do senhor chefe.

O jovem se retirou, não tinha mais nada a fazer, já havia cumprido a conduta e sentia um orgulho macio, quase íntegro. A roupa verde musgo exercia um prazeroso poder, abafava rigidamente seus gestos naturais, e ele gostava. A cidade é burocrata.

K. não conseguiu esconder sua indgnação, não tinha onde dormir, e estava cansado, muito cansado. Ficou submerso num lodo de raiva por alguns segundos, tempo suficiente para 
deixá-lo quente e vivo. Gritou:

- Não falo a sua língua, seu merda !

O grito ecoou pela cidade, até então silenciosa, derramando-se cartograficamente. Foi quando K. a viu pela primeira vez, e última. Logo, a cidade foi coberta pelo negro da noite, e ele por um vazio frio.