segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

clara evidência


nota-se turvo corvo em texto:

"te proibo olhar-me assim"






quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

nem mesmo
















nada não,

finjo




me proibas
e eu fundo meu desejo


.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

do senhor comandante:



Em cumprimento às normas de segurança
não acendam as labaredas de seus impulsos
sexuais.

Observem as regras locais quanto ao incesto e a
castração.

Tenham cuidado ao abrir o compartimento reprimido
em transferência amorosa.

Seus objetos de amor podem ter se deslocado
durante a viagem.

Sabemos que essa escolha foi uma decisão infantil.

Obrigada a repetir-se, atribulação neurótica satisfaz-se
por frustração.

Comandante Freud deseja a todos uma
boa noite de sexo e um exelente orgasmo.

sábado, 29 de novembro de 2008

propriamente dito



















Dá-lhe choque
na laranja,
mas por favor
deixe minha
mecânica própria:
é azul
minha cor,
sou cedo,
uma linha
de manhã,
sou assim
ecoline borrado
no papel
e nanquim
não sou louca.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

re leve

Tá dando goteira
no meu travesseiro
de penas.

Não se ocupe,
o pequeno vazamento,
é uma pena
só.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

qual o quê?



















desejo vira casaca
não confio
cãibra de um lado
cobra do outro
ainda vem me
tomar a casa

existe o acaso?





*imagem: colagem sobre papel

terça-feira, 25 de novembro de 2008

suscetível

Feito receita de avó tem até um charme retrô, mas até ela se modernizou: separou, arrumou um namorado, viuvou, hoje tem email e uma gatinha. Continua fazendo ponto de cruz, bordados em pano, pudim de clara
e suspiros.

Assim até parece que ela não cometeu o crime, aquela vovó sentada na cadeira de balanço. Romântico, eu gosto, mas, onde estão aqueles segredos guardados ?
o suspense.

Não escondeu em tapete algum, nem gaveta, nem pó, essas coisas se pegam no embuxo não tem quem se salve, mas a avó sim, se salvou, três pai-nossos, cinco ave-marias e seguiu na cadeira fofa desafinando sustenidos.

Agora bem, aquele crime repassado, aquele ódio, aquela culpa, me chega assim como um bom presente, tomado de vinho seco, um gosto terno de vitela e sangue nos dentes. Não quero o primeiro prato, suspende.

Indigesto, mas saboroso, jantar em família. Cometi o crime ? Mas eu não queria, não, não me trate bem, não mereço, não posso escolher, faça o que quiser de mim sou indgna,
suspeita.

Um apego, quase apelo sofrimento. Acende na cabeça o abajur: não sou eu a assassina, isso não é meu ! Apaga, sonha e sim, lá estou eu com o machadinho. Vazo de um lado, afogo do outro, Acendo de novo e, matei sim, sustento.

Silêncio, o morto está ai, há que enterrá-lo, ou ele pode voltar para puxar o lençol à noite só pra zombar e dar um
susto.







o morto é querido, vai deixar saudades