quarta-feira, 19 de novembro de 2008

definindo potência II

o que me cabe
quando quanto
é tamanho justo
não giganteio mais
nem formigo
só o dedão do pé
quando toca o chão
e diz:

as pessoas são formidáveis

definindo potência I

opa, dei um furo num pacto esquecido
com quem mesmo?

acordei descabelada, sem vênus nenhuma
perfeitamente vestida com malha
de pele póro e sal, por cima,
uma camada de pijaminha velho

a galinha do jantar fugiu sem cabeça, outro furo
-isso não estava no roteiro-

bonequinha de luxo não tem alma
não faço o filme, nem por um milhão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

cabo verde



Mayra Andrade


Tunuka (em crioulo)

Tunuka, Tunuka bála
Ki tem koráji, é só Tunuka di meu
Sukuru ka da-l kudádu,
Ka duê-l xintidu, ki fari duê-l korasom.
Tunuka é nós ki bai,
É nos ki bem, é nos ki fika li-mé.
Nu uni korasom,
Nasionalidádi dja-nu tem dja,
Nu mára nós kondom, nós limária nu dexâ-l la.
É nós ki mbárka pa Sam Tomé
Injuriádu marádu pé
Mi ku bo ki stába la mé
Tudu m-dádu m-da-u també
Na nós pom di kada diâ, oxi dretu manham mariádu
Ramediádu ka tem midjor
Ki spéra m-dádu m-da-u també.
Tunuka kre-u ka pekádu
Da-u ka ta fládu, má só bu da-m ki tenê-m.
Tunuka, Tunuka, Tunuka
Tunuka,Tunuka, é ti si ki-m tem pa-m fla-bu.
(solo)- Tunuka,t,t,t,t, é ti si ki-m tem pa-m fla-bu…

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

eterno volteado




















Aquilo era a tristonha travessia, pois então era preciso. Água de rio que arrasta.

Dias que durasse, durasse; até meses. Agora, eu não me importava. Hoje, eu penso,

o senhor sabe: acho que o sentir da gente volteia, mas em certos modos rodando em

si por regras. O prazer muito vira medo, o medo vai vira ódio, o ódio vira esse desespero?

- desespero é bom que vira a maior tristeza, constante então para o um amor-quanta saudade...-; aí , outra esperança já vem....



Guimarães Rosa

* imagem: colagem sobre papel

terça-feira, 11 de novembro de 2008

cres que hace sol?

yo: hola, que tal?

tu: hola.

yo: pués, nada
te llamo para decir que...

tu: me acordé de tí,
un sueño raro
yo pasaba de bus y te vía
por la ventana
el semáforo
se ponia verde
y yá
nada más...

yo: el clima está temperado:
lluvia por la noche
desiertos días.





quinta-feira, 6 de novembro de 2008

cité de la petit mort

Decolagem agora tem rumo!





Muitas costas, espumas, laranjas, azuis, metais estão por vir.
Suculentos figos, caquis, cuscuz, castanhas, de escorrer
saliva, cheiro, e boca.
O barulho do mar é fotografável: revela-se de cima pra baixo, da superfície àprofunda pele, fixando-se aí.
Inscreve uma canção particular.
O vento é um abraço de rede, tem arco elástico para te lançar.
As cidades invisíveis agora marcam um pulso rítmico. Chamam com vozes de veludo e misteriosas, chamam - são perigosas.
Não foram descobertas, seguem cobertas por uma capa de película fina e invisível.
São terras e mais terras riquíssimas, frutíferas, úmidas e quentes, querem que as fecundem, que as façam gozar.




*para Calvino

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

seleção natural



















ode ao trabalho das abelhas
trabalham sem carteira assinada
dentro de mim
fabricam mel para adorno
todo dia;
não as contratei
meu tronco é favorável.