"Se lhes disser desde já, que não tenho papas na língua, não me tomem por homem despachado, que vem dizer as coisas amargas dos outros. Não senhor; não tenho papas na língua, e é para vir a tê-las que escrevo. Se as tivesse, engolia-as e estava acabado. Mas aqui está o que é; eu sou um pobre relojoeiro, que, cansado de ver que os relógios deste mundo não marcam a mesma hora, descri do ofício. A única explicação dos relógios era serem igualzinhos, sem discrepância; desde que discrepam, fica-se sem saber de nada, porque tão certo pode ser o meu relógio, como de meu barbeiro. (...)
Foi por essas e outras que descri do ofício; e, na alternativa de ir à fava ou ser escritor, preferi o segundo alvitre; é mais fácil e vexa menos. "
Machado de Assis, crônicas de Bons dias ! 5 de abril de 1888.
terça-feira, 27 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Chamada. Perdida.
Não espero mais.
Quanto mais me menos
deito minha poltrona pontual,
como ponteiros
são vícios, dos pequenos.
Eu giro.
Baixa um rabo de encruza,
cai grave na carne,
me veste ato,
terrível, obtusa.
Homicídio doloso vos digo, afogamento de celular
em vaso sanitário e ninguém viu o rabo do diabo.
Quantos caracteres tem uma ilusão?
Morre de amor o aparelho,
sem enterro nem contexto,
uma ligação perdida
ainda vibra nos braços,
minguante
toque silencioso,
sua mão na minha mão.
Quanto mais me menos
deito minha poltrona pontual,
como ponteiros
são vícios, dos pequenos.
Eu giro.
Baixa um rabo de encruza,
cai grave na carne,
me veste ato,
terrível, obtusa.
Homicídio doloso vos digo, afogamento de celular
em vaso sanitário e ninguém viu o rabo do diabo.
Quantos caracteres tem uma ilusão?
Morre de amor o aparelho,
sem enterro nem contexto,
uma ligação perdida
ainda vibra nos braços,
minguante
toque silencioso,
sua mão na minha mão.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
o trajeto
Me chamou o barulho de uma concha,
um trompete e um violoncello,
ventou orquestra de areia,
madrepérola
fez-me sopro, corda,
elo,
dobrou-me papel em barquinho,
ondas pra não sei onde.
um trompete e um violoncello,
ventou orquestra de areia,
madrepérola
fez-me sopro, corda,
elo,
dobrou-me papel em barquinho,
ondas pra não sei onde.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
benção
Se não há tinta, que ao menos mandem a saliva, espero. Não me sai nada, e no entanto sinto muito. Não posso largar o ofício. Modéstia minha, mas quem escreve sabe, ou crê, que o tal anjo que aparece no nascimento fica como padrinho, volta sempre. Ser gauche já é opcional. Sempre que este funcionário divino vem, entrego-lhe as mãos, só crio quando ele não vem, uma porção de teoria explicativa com tentativa de base científica.
No momento ando pensando sobre a crise. Devo ter me endividado no mês passado; el cambio español me está cobrando os juros, e posso dizer, me enganaram, gastei com vontade. E não fui só eu, o pessoal tá dando calote e escrevendo mesmo assim, se tornou um problema celestial, capaz até do anjo ter sido demitido.
No momento ando pensando sobre a crise. Devo ter me endividado no mês passado; el cambio español me está cobrando os juros, e posso dizer, me enganaram, gastei com vontade. E não fui só eu, o pessoal tá dando calote e escrevendo mesmo assim, se tornou um problema celestial, capaz até do anjo ter sido demitido.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
La fotografía
Mientras ponía gasolina en su auto, tarde de la noche, la joven has visto una escena :
Un gordito cantando un poema de Neruda a su novia. Un hombre serioso. Silenciosamente la joven le sacó una foto, discreta, sin poner la escena en riesgo.
Cuándo cantava, los cachetes del hombre se ponían rojos y su panzita temblava, una fuerza demás grande del interior. Al pasar por las camadas de gordura, la energía explosiva se hiba amortiguando, hasta llegar a una vibracionzita ligera . Solo atentos veían su voluptuosidad.
Un gordito cantando un poema de Neruda a su novia. Un hombre serioso. Silenciosamente la joven le sacó una foto, discreta, sin poner la escena en riesgo.
Cuándo cantava, los cachetes del hombre se ponían rojos y su panzita temblava, una fuerza demás grande del interior. Al pasar por las camadas de gordura, la energía explosiva se hiba amortiguando, hasta llegar a una vibracionzita ligera . Solo atentos veían su voluptuosidad.
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