O grito.
Flácido, deitado ainda
sobre a linha do diafragma.
Infame, em fato, em caroço !
A potência em esplendor.
Oro pelo grito nosso;
que seja devasto sem dor,
que ecoe livre, os mil mundos.
Temo o grito cheio,
embuxado quase vingando,
e se aqui dentro ficar com saudade?
Ficar vazio?
Choro o grito mudo,
amarelo morto,
mais uma folha amassada:
cesta, lixo.
segunda-feira, 2 de março de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
maquiagem de carnaval
A ordem dos cachos
é docemente cuidada;
alguns grampos escondidos,
alguns fios caidos.
Em destaque o adorno:
uma flor e um penacho.
O enfeite dos cachos
é tal emaranhado
que finge solto,
beleza fácil, beijo vendido.
Mas para o olhar atento,
verá só: a dor no
olho teso e o laço perdido.
é docemente cuidada;
alguns grampos escondidos,
alguns fios caidos.
Em destaque o adorno:
uma flor e um penacho.
O enfeite dos cachos
é tal emaranhado
que finge solto,
beleza fácil, beijo vendido.
Mas para o olhar atento,
verá só: a dor no
olho teso e o laço perdido.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
penetra surdamente no reino da palavra
yo- hola, que tal?
tu- ça vas bien
yo- te digo que alumbré mi desierto, es un papel blanco
tu- moi, je suis blanc oussi...
yo- me encanta hablar contigo, cariño, l'humour noir française !
me- please, don't forget our date, i miss you
silence
você - desculpe, te falto
eu - amo você, mas às vezes não te entendo, ou é vc que não me entende?
eu - aquele nosso encontro no museu da língua portuguesa mexeu comigo, chorei copiosamente, enquanto eu chorava pensava "choro copiosamente", foi louco.
tu- ça vas bien
yo- te digo que alumbré mi desierto, es un papel blanco
tu- moi, je suis blanc oussi...
yo- me encanta hablar contigo, cariño, l'humour noir française !
me- please, don't forget our date, i miss you
silence
você - desculpe, te falto
eu - amo você, mas às vezes não te entendo, ou é vc que não me entende?
eu - aquele nosso encontro no museu da língua portuguesa mexeu comigo, chorei copiosamente, enquanto eu chorava pensava "choro copiosamente", foi louco.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
da série "oníricos"
Dessa vez a lembrança veio agressiva, veio assim, feito um povo na luta por terra. Migrava para se saber física, no espaço. Tão agressiva foi a lembrança que o agora se fingiu de morto, uma atitude de sobrevivência
...
A cozinha é o maior cômodo, é toda aberta com a pia de frente para o jardim... Na única parede tem um relógio cuco. Espero meio dia sair o pássaro de plástico, vem da janela avisar o pulso e se fecha na casa relógio. Sei que meio dia sou pássaro também.
(o passado inebria, só tem um cheiro amarelado. Não me importo com o cheiro amarelado, me importo com o sossego amortecido de quem espera)
Após a bem sucedida posse da lembrança, ela marca, outra letra e vai embora.
...
A cozinha é o maior cômodo, é toda aberta com a pia de frente para o jardim... Na única parede tem um relógio cuco. Espero meio dia sair o pássaro de plástico, vem da janela avisar o pulso e se fecha na casa relógio. Sei que meio dia sou pássaro também.
(o passado inebria, só tem um cheiro amarelado. Não me importo com o cheiro amarelado, me importo com o sossego amortecido de quem espera)
Após a bem sucedida posse da lembrança, ela marca, outra letra e vai embora.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
da série "oníricos"
Estamos assim, lado a lado, eu e a barata. Um sorriso emoldurado desenha a cena. Há algo de cínico, blasé. Fingimos sempre que sentimos nada, representamos cordialidades, ficam dúvidas e tormentos, demais carga. Dou-lhe um beijo de despedida, ela vai. Fico só.
...
(me senti estranhamente triste, queria que ela fosse e queria que ela ficasse)
Tudo em volta é branco leite e eu sou o ponto vermelho inflamado, são infecções bacterianas e fúngicas, nunca virulentas.
...
( lembro de que a amei especialmente quando me cantou uma canção, havia sido feita pra mim? sempre acreditei que sim).
Choro um pouco, barata não namora gente.
...
(me senti estranhamente triste, queria que ela fosse e queria que ela ficasse)
Tudo em volta é branco leite e eu sou o ponto vermelho inflamado, são infecções bacterianas e fúngicas, nunca virulentas.
...
( lembro de que a amei especialmente quando me cantou uma canção, havia sido feita pra mim? sempre acreditei que sim).
Choro um pouco, barata não namora gente.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
da série "oníricos"
Queria um poema de êxtase, vejo-o, mas só tenho esse vestido preto.
O vento me toca com o tecido, sinto as pernas, mas não sinto êxtase.
Minhas asas estão armadas.
...
acho que também vi no flanco do motor o mesmo anjo encouraçado.
O vazio se desloca, ausência de luz torna-se hiato de som.
[cena muda : visto nada]
O vento me toca com o tecido, sinto as pernas, mas não sinto êxtase.
Minhas asas estão armadas.
...
acho que também vi no flanco do motor o mesmo anjo encouraçado.
O vazio se desloca, ausência de luz torna-se hiato de som.
[cena muda : visto nada]
domingo, 11 de janeiro de 2009
disco velho
LADO A

Ah ! o macho....
Uma beleza !
Exposto e grosseiramente
reto, quieto,
o macho floreia sim.
[acho] não o vejo.
Olhai por mim.
LADO B
Por pouco
me encandeio,me arrepio.
Um carinho, um elogio.
Viro aranha, abelha
rainha.
Devoro da viga ao talo
e não sobra nada.
Me calo
como se consentisse
(o abandono da casa)
do emoldurado vão,
quero o finco dos pés
e quero asa!
Eis a fêmea-criação.
eis a fêmea-criação.

Ah ! o macho....
Uma beleza !
Exposto e grosseiramente
reto, quieto,
o macho floreia sim.
[acho] não o vejo.
Olhai por mim.
LADO B
Por pouco
me encandeio,me arrepio.
Um carinho, um elogio.
Viro aranha, abelha
rainha.
Devoro da viga ao talo
e não sobra nada.
Me calo
como se consentisse
(o abandono da casa)
do emoldurado vão,
quero o finco dos pés
e quero asa!
Eis a fêmea-criação.
eis a fêmea-criação.
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