Me chamou o barulho de uma concha,
um trompete e um violoncello,
ventou orquestra de areia,
madrepérola
fez-me sopro, corda,
elo,
dobrou-me papel em barquinho,
ondas pra não sei onde.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
benção
Se não há tinta, que ao menos mandem a saliva, espero. Não me sai nada, e no entanto sinto muito. Não posso largar o ofício. Modéstia minha, mas quem escreve sabe, ou crê, que o tal anjo que aparece no nascimento fica como padrinho, volta sempre. Ser gauche já é opcional. Sempre que este funcionário divino vem, entrego-lhe as mãos, só crio quando ele não vem, uma porção de teoria explicativa com tentativa de base científica.
No momento ando pensando sobre a crise. Devo ter me endividado no mês passado; el cambio español me está cobrando os juros, e posso dizer, me enganaram, gastei com vontade. E não fui só eu, o pessoal tá dando calote e escrevendo mesmo assim, se tornou um problema celestial, capaz até do anjo ter sido demitido.
No momento ando pensando sobre a crise. Devo ter me endividado no mês passado; el cambio español me está cobrando os juros, e posso dizer, me enganaram, gastei com vontade. E não fui só eu, o pessoal tá dando calote e escrevendo mesmo assim, se tornou um problema celestial, capaz até do anjo ter sido demitido.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
La fotografía
Mientras ponía gasolina en su auto, tarde de la noche, la joven has visto una escena :
Un gordito cantando un poema de Neruda a su novia. Un hombre serioso. Silenciosamente la joven le sacó una foto, discreta, sin poner la escena en riesgo.
Cuándo cantava, los cachetes del hombre se ponían rojos y su panzita temblava, una fuerza demás grande del interior. Al pasar por las camadas de gordura, la energía explosiva se hiba amortiguando, hasta llegar a una vibracionzita ligera . Solo atentos veían su voluptuosidad.
Un gordito cantando un poema de Neruda a su novia. Un hombre serioso. Silenciosamente la joven le sacó una foto, discreta, sin poner la escena en riesgo.
Cuándo cantava, los cachetes del hombre se ponían rojos y su panzita temblava, una fuerza demás grande del interior. Al pasar por las camadas de gordura, la energía explosiva se hiba amortiguando, hasta llegar a una vibracionzita ligera . Solo atentos veían su voluptuosidad.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
nota
Así como el planeta gira en torno del sol, el cuerpo fantasma
de hombre gira en torno del cuerpo de la joven, una espécie de
zun zunido transparente, todavía la joven no le dá mucha pelota.
Antes de ayer ha sido vista hablando sola por la calle entrando
en una peluqueria, cerca de jardim botânico. Dicen que es
vanidosa, con 80,00 reales ha cambiado temporariamente su
aparencia.
Carga beneficios de herencia: un auto, una casa própria, un
de hombre gira en torno del cuerpo de la joven, una espécie de
zun zunido transparente, todavía la joven no le dá mucha pelota.
Antes de ayer ha sido vista hablando sola por la calle entrando
en una peluqueria, cerca de jardim botânico. Dicen que es
vanidosa, con 80,00 reales ha cambiado temporariamente su
aparencia.
Carga beneficios de herencia: un auto, una casa própria, un
pendiente de pérola, una cicatriz en la pierna derecha, algunas
histórias de bolso y un cuerpo fantasma de hombre.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
tricoteando tempo ( exercício roseano)
Foi um fato que se deu, um dia, se abriu. O primeiro. Ainda que os ponteiros voltassem sempre pro mesmo ponto, tic. tic. O pulso suado. O homem não sabia. Contava os dedos das mãos, enrolava os cabelos do braço, estalava os dedos. Era nervoso de cinco pessoas numa só. O coitado não parava: comia carninha da unha cuspia comia carninha da unha cuspia comia carninha da unha cuspia e não parava porque se parasse capaz de os ponteiros pararem também vixe... e alargar o vazio assim....[ isso ele nem dizia, nem pensava, mas isso era].
Viciava no vício das coisas, de qualquer nada que lhe tremesse o intervalo dos ponteiros. Tic tic e o trim. O nervoso todo, era de encabulamento, dizia bem claro que ele não era triste, era encabulado, porque "tristeza não é roupa que se use, só aos domingos". Esperava o tic trim de Socorro. O ponteiro tinha dado uma porção de voltas e nenhum zunido entrante do telefone: trim. Sabe-se lá se ela comeria suas palavras doces feito o bombom que lhe entregou na missa?
O bombom ela gostou, meteu tudo na boca e riu com os dentes marronzados, feliz da vida. Todo mundo sabia que ela não era bonita de espelho, mas que na retina do homem ela brilhava, moldurada em alguma parede detrás do peito. Ele só não sabia, era se Socorro lhe cobria algum valor.
Não importa, pensou. O fato já tá escrito, em voz alta. As cartas que falam de amor, essas mesmas cabem, em intervalo nenhum, delas ele sabia.
Viciava no vício das coisas, de qualquer nada que lhe tremesse o intervalo dos ponteiros. Tic tic e o trim. O nervoso todo, era de encabulamento, dizia bem claro que ele não era triste, era encabulado, porque "tristeza não é roupa que se use, só aos domingos". Esperava o tic trim de Socorro. O ponteiro tinha dado uma porção de voltas e nenhum zunido entrante do telefone: trim. Sabe-se lá se ela comeria suas palavras doces feito o bombom que lhe entregou na missa?
O bombom ela gostou, meteu tudo na boca e riu com os dentes marronzados, feliz da vida. Todo mundo sabia que ela não era bonita de espelho, mas que na retina do homem ela brilhava, moldurada em alguma parede detrás do peito. Ele só não sabia, era se Socorro lhe cobria algum valor.
Não importa, pensou. O fato já tá escrito, em voz alta. As cartas que falam de amor, essas mesmas cabem, em intervalo nenhum, delas ele sabia.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
a primeira gravação
Aquele gesto que precisa de mais força pra existir no mundo, ou quase-gesto, se me permite usar o hífen antes dele nunca mais existir. Se já tenho que me despedir de coisas, e muitas, possíveis de fotografar, imagina as despedidas das coisas que nem conseguiram encarnar?
Me recuso a fazer álbum de quase-fotos que hesitam. Que ao menos vinguem, ecoem sua durabilidade, seu pretérito. Imperfeito que seja, e sempre é.
Embriões no limbo, pobres. A incansável briga do desejo com o medo. Lá vão mais palavras sem atos: um quase-amor morto por falência de quase-beijo desfilando em sonho, lá onde o corpo frágil não sofre as marcas do tempo, lá onde somos, perfeitamente.
Me recuso a fazer álbum de quase-fotos que hesitam. Que ao menos vinguem, ecoem sua durabilidade, seu pretérito. Imperfeito que seja, e sempre é.
Embriões no limbo, pobres. A incansável briga do desejo com o medo. Lá vão mais palavras sem atos: um quase-amor morto por falência de quase-beijo desfilando em sonho, lá onde o corpo frágil não sofre as marcas do tempo, lá onde somos, perfeitamente.
terça-feira, 2 de junho de 2009
brôto
Sinto galhos na coluna,
duros e firmes.
Pequenas flores brancas fazendo uma costura:
escápulas, externo, costelas.
No meio dos seios um jasmim.
É doce.
duros e firmes.
Pequenas flores brancas fazendo uma costura:
escápulas, externo, costelas.
No meio dos seios um jasmim.
É doce.
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